Nesta semana, a imprensa traz à tona o crescimento dos casos de Covid-19 em todo o país. Segundo a Folha de São Paulo, na terça (7 de Junho), foram mais de 80 mil novos casos e 294 mortes. Esses são os maiores números desde fevereiro deste ano. Destaca ainda que a média móvel de casos continua com crescimento acentuado, de 144% em relação ao dado de duas semanas atrás. A média agora é de 35.271 pessoas infectadas por dia.
Esses números são compatíveis com o período em que os gestores titubeavam na decisão pela reabertura total das escolas no início de 2022. Muitos municípios protelaram essa decisão para março ou abril, o que atrasou ainda mais o desenvolvimento das crianças na educação básica brasileira. Diante deste cenário que preocupa novamente as autoridades, o posicionamento da opinião pública deve ser pela manutenção das escolas abertas, com todas as medidas de segurança necessárias e já conhecidas: uso de máscaras em lugares fechados, distanciamento social e higienização constante.
Não faz sentido, diante do estrago causado pelo fechamento total das escolas brasileiras por dois anos e todo o estrago causado, que as aulas presenciais sejam interrompidas de novo. Mesmo que ainda faltem dados para mensurar o tamanho das lacunas de aprendizagem nos estados brasileiros (com exceção de São Paulo e Minas Gerais, não existem dados públicos ou pelo menos menções na mídia sobre o resultado das avaliações diagnósticas dos estudantes após a reabertura das escolas), sabemos que só vamos retomar as rédeas da aprendizagem mantendo as escolas abertas.
Nosso pedido é que, diante da piora do cenário, não se faça a escolha pelo cenário mais simples: fechar as escolas e negar aos estudantes o direito de aprender com qualidade. O caminho deve ser: reforçar as medidas de segurança nas escolas, ampliar cada vez mais a cobertura vacinal da comunidade escolar e desenvolver bons métodos pedagógicos de ensino híbrido para enfrentar cenários emergenciais sem comprometer o trabalho dos professores e o futuro das nossas crianças.
João Paulo Cêpa é ex-secretário de Educação e Esportes de Caruaru-PE, consultor educacional e gerente de Articulação e Advocacy do Movimento pela Base
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