A palavra recomposição das aprendizagens têm aparecido nos diálogos educacionais em todo o mundo como uma das principais estratégias para superar uma das várias lacunas deixadas pela pandemia da Covid-19.
Essa ideia está intimamente ligada (e de forma correta) a percepção de que nossos estudantes aprenderam menos do que deveriam em relação aos programas curriculares previstos. Seja na escola pública, seja na escola privada.
Muitos especialistas estão debruçados no desenvolvimento de estratégias, plataformas e materiais que apoiem na retomada do percurso formativo nos próximos anos. Gostaria aqui, de deixar 04 reflexões simples que podem ajudar na reflexão daqueles que estão de olho no tema:
1 – Estudantes não são máquinas e não precisam e não aprenderão tudo que ficou para trás. O fato de terem aprendido a metade do que deveriam, não significa que vão ter que aprender o dobro neste ano. Um olhar cuidadoso nos currículos escolares será bem-vindo na escolha dos temas de recomposição.
2 – O uso do tempo do aluno precisa ser bem pensado. Não adianta oferecer mais dever de casa (no livro ou em plataformas sofisticadas) e achar que o aluno vai aprender sozinho. Ele não aprendeu em casa no ensino remoto e certamente continuará não aprendendo. O tempo de ouro do aluno será na escola, junto do professor.
3 – Não deveríamos transformar a educação num esforço cognitivo extremo. Se as questões emocionais e sociais (igualmente impactadas pela pandemia) não forem trabalhadas com intensidade, não haverá aprendizado e nem recomposição.
4 – Foco no que é prioritário. A recomposição das aprendizagens precisa considerar definir quais conceitos, conhecimentos e processos importantes ficaram para trás. Um exemplo prático é garantir que os estudantes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental sejam bem alfabetizados e conheçam as operações matemáticas fundamentais, que permitam que possam progredir nos próximos anos da educação básica.
João Paulo Cêpa é ex-secretário de Educação e Esportes de Caruaru-PE e
gerente de Articulação e Advocacy do Movimento pela Base e Consultor Educacional.
@joaopaulo_cepa



