Recentemente falamos sobre o resultado das contas externas com saldo recorde no mês de julho e, também, no acumulado no ano de 2020. O Brasil tem uma base de exportações muito sólida que é puxada pelo agronegócio. Estimativas da CONAB apontam para uma produção de 250,5 toneladas de grãos em 2020, número este menor 400 mil toneladas comparativamente ao ano passado. Diversos fatores estão favorecendo o agronegócio, dentre eles, a questão tecnológica tem sido fundamental e tem trazido mais eficiência ao setor.
Notadamente, o desempenho no campo tem contribuído bastante para mitigar os efeitos negativos da pandemia. Em 2019, o Brasil gerou, aproximadamente, 1 milhão de novos empregos e este ano, perdemos algo em torno de 1,2 milhão. em alguns comentários passados já havia alertado que o PIB cairia um percentual aproximado de 10% e até o momento a estimativa aponta para 9,7% de queda. Cabe salientar que das economias mais preponderantes no mundo, apenas a China cresceu 11% no segundo trimestre. O México caiu 18%, o Reino Unido tem queda de 20% e o Peru tem queda de 27%.
A destruição da economia vai levar um tempo causando efeitos e o processo de recuperação é gradual, lento, numa velocidade totalmente diferente do que a sociedade espera. As cartas disponíveis já foram colocadas à mesa: liberdade econômica, reforma da previdência, pagamentos instantâneos que vai vigorar a partir de novembro próximo, etc. Precisa definir política para o cambio. Com o dólar no patamar atual, as exportações crescem, mas isso se prolongar por um tempo elástico, tem outras implicações. Espera-se que aumento nas exportações gerem aumentos na demanda interna, mas os números indicam que isso não tem ocorrido e, logicamente, a redução na renda é o principal determinante.
Tem sido visto a abertura de novas vagas para setores que retomaram as atividades. No caso de restaurantes, bares, lojas de departamentos, dentre outros, está sendo anunciada a contratação de funcionários. Isso é bom, mas há outros gargalos no setor público que precisam ser enfrentados. Por exemplo, o legislativo e o judiciário possuem uma gama de privilégios difíceis de ruptura. Prêmios, bônus, etc. geram salários e aposentadorias acima do teto constitucional e fica por isso mesmo.
No mais, cabe lembrar o discurso de Guedes quando assumiu o ministério: inflação, crescimento e fiscal. A inflação está sendo contida com a falta de renda, mas, ainda assim, produtos de primeira necessidade tiveram aumento. Alguns não entenderão porque supermercados funcionaram, mas esqueceram que os produtores, não. Diminuiu a oferta. A parte fiscal tem sinalizações com as reformas e o crescimento precisa ter suas estratégias repensadas.